quinta-feira, 29 de outubro de 2009

25 anos da Cirurgia Bariátrica no Brasil

Boa noite!
Pois é, ainda não fez uma década comigo trabalhando com os pacientes em pré e pós operatório e já estamos completando 25 anos de história!
A matéria abaixo eu deixo levemente comentada em negrito, como sempre!!!!
A obesidade é a segunda causa de morte passível de prevenção (é o que eu sempre digo: melhor prevenir do que remediar! Se a gente aqui no Brasil tivesse estrutura para já tratar o sobrepeso, a obesidade "leve", poderíamos ter menos mortes por infarto e diabetes, por exemplo!).
Para combatê-la, um dos métodos utilizados é a cirurgia bariátrica, conhecida pelo público leigo como redução de estômago, que visa a reduzir o peso, melhorar as comorbidades a ela relacionadas, como diabetes, hipertensão arterial e apneia do sono e, consequentemente, trazer mais qualidade à vida do indivíduo.
Os procedimentos são vários, todos distintos e estão popularizando-se a cada dia. Prova disso é o aumento na quantidade de procedimentos realizados em todo o mundo. Para se ter uma ideia, enquanto em 1998, nos Estados Unidos, foram realizadas 13.365 cirurgias deste tipo, o número subiu para 200 mil em 2007. Mas isso não significa que todo paciente com sobrepeso pode submeter-se à operação. Existem determinações legais que indicam sua realização apenas em pacientes com IMC acima de 35, com obesidade grau 2 (pra quem não sabe, o IMC é o Índice de Massa Corporal, calculado a partir do peso em quilos dividido pelo quadrado da altura em metros. Exemplo: se um paciente tem 123kg e 1,64m a conta fica: 123/1,64 X 1,64 = 45,73). Abaixo disto, podem ser realizadas em condições especiais, mas a princípio, devem ser tentadas outras formas de tratamento (atividade física, alimentação saudável, tratamento clínico multidisciplinar! É sempre importante tentar perder peso pela maneira "convencional", pois é necessário ter força de vontade tanto dentro do tratamento convencional como com a cirurgia. Não é porque vai se fazer uma cirurgia que a dedicação, perseverança, prudência ficam para trás! Persistir sempre!).
Conheça as técnicas
As técnicas mais utilizadas atualmente são as cirurgias restritivas, que impedem o indivíduo de comer muito devido ao uso de um anel que restringe o estômago; as mal-absortivas, que não processa o alimento adequadamente, havendo perda de calorias e nutrientes nas fezes; e as mistas, que aliam os dois mecanismos (estas últimas consideradas padrão ouro da cirurgia bariátrica).
Pré e pós-operatório
Antes da cirurgia, cada paciente é avaliado de forma individualizada. Para os jovens, com obesidade mórbida simples e sem comorbidades, o preparo cirúrgico é relativamente simples. As complexidades existem à medida que o peso aumenta muito, assim como a idade, além das restrições respiratórias e as doenças associadas. Em geral, utilizar os protocolos de maneira generalizada acarreta em aumento de custos, uma vez que cada paciente deve receber aquilo que necessita (tem pacientes que precisam perder peso antes da cirurgia ou que precisam controlar melhor o diabetes ou a pressão arterial antes de operar. Ainda existem os casos em que é necessário corrigir anemia, deficiência de vitaminas mesmo antes de operar. Realmente cada caso é um caso e é muito importante avaliar cada pessoa com cuidado antes de indicar a cirurgia, que é considerada de grande porte).
Após a cirurgia, todo o paciente necessita de acompanhamento, o que varia é a frequência. Aqueles com modelos mais mal-absortivos precisam de observação contínua com suplementação de vitaminas e minerais mais intensa, enquanto os que não apresentam forte restrição nem má absorção normalmente têm perfis nutricionais mais saudáveis e estáveis; o que varia é com quem esse paciente deve ser acompanhado mais de perto. O componente alimentar nas cirurgias restritivas é muitas vezes o tendão de Aquiles na perda de peso. Por isso esses pacientes devem ser acompanhados mais de perto por nutricionistas. Outros pacientes possuem questões psicológicas que precisam ser resolvidas ou ao menos minimizadas ao longo do processo de perda de peso para se obter sucesso a longo prazo. O que é importante lembrar é que qualquer que seja a técnica cirúrgica, é imprescindível passar com o nutricionista pelo menos uma vez antes de operar e acompanhar no primeiro ano pós operatório com maior frequência.
Como nutrir?
Para a nutricionista que atende o paciente no pós-operatório é fundamental saber as diferenças entre os diversos procedimentos, tratando-os de forma individualizada (inquestionável! Isso é básico!!!). As complicações tardias mais frequentes, diretamente causada pelas cirurgias bariátricas, são de vertentes nutricionais (por isso que o acompanhamento no primeiro ano com nutricionista é tão importante!!!). Osteoporose, deficiência de elementos do complexo B, deficiência sub-clínica de zinco. A deficiência de vitamina D e vitamina A são descobertas bem recentes... não nos abandonem! Tenham qualidade de vida após a cirurgia!!!
Fontes:
Consenso bariátrico, Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica: http://www.sbcb.org.br/pacientes_consenso_bariatrico.php.
Cirurgia Bariátrica no Âmbito do Sistema Único de Saúde: Tendências, Custos e Complicações: http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=2917.

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