segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Consumo de leite pelos adultos: alergia e intolerância à lactose

Boa tarde!
Bom, quando eu abri um e-mail de tarde sobre o consumo de leite de vaca pelos adultos, o assunto me coçou demaaaaais, pois intolerância à lactose é um dos temas da minha tese de mestrado. Aliás, há 1 ano e meio é um dos principais temas que estudo e que novas matérias na mídia sempre me despertam interesse!
A matéria abaixo foi extraída do site "Nutritotal", destinado aos profissionais nutricionistas! Como sempre, meus comentários são anexados ao longo da matéria em negrito:
"O termo reações adversas aos alimentos é utilizado para denominar qualquer reação anormal que ocorra após a ingestão do alimento.
A alergia alimentar se restringe apenas às reações nas quais o sistema imu­nológico está envolvido. Isto ocorre por uma falha da defesa intestinal do organismo, permitindo que alguns alimentos atravessem a parede do intestino, provocando manifestações clínicas como urticária ou vermelhidão nos lábios (normalmente nas alergias, as proteínas contidas no determinado alimento estão envolvidas no processo). Estas alergias atingem até 8% das crianças menores de três anos e 3% dos adultos. Entre os alimentos, o leite é um dos principais agentes causadores, especialmente na fase pediátrica.
Enquanto isso, a intolerância (que nada tem a ver com a alergia) chega a atingir mais de 50% da população e é uma doença crônica, que pode demorar meses, ou até anos para ser diagnosticada. Os sintomas são diversos e podem ocasionar danos nos sistemas nervoso central, urinário, respiratório, gastrintestinal, entre outros, levando a enxaqueca crônica, depressão, tontura, congestão nasal, rinite, sinusite, asma brônquica crônica, urticária, psoríase, acne, cãibra, náusea, diarréia, obesidade, entre outros. No caso do leite, a intolerância à lactose ocorre pela ausência na produção de lactase, enzima responsável pela digestão da lactose, açúcar do leite. Para que possamos absorver o açúcar do leite, é necessário que haja essa digestão, quebra da molécula de lactose em 2 sub-unidades: galactose e glicose. Daí sim absorvemos essas 2 sub-unidades! Na ausência de lactase, a lactose não pode ser digerida, tornando-se por isso uma fonte de alimento abundante para a flora intestinal (que então começa a crescer descontroladamente), e originando as náuseas, vômitos e a diarréia (por afetar a osmolariade do intestino delgado).
O leite é apontado como uma das principais substâncias envolvidas, ao lado de café e grãos. Além de tudo isso, mitos e crenças populares completam o afastamento dos adultos ao consumo de leite (concordo em gênero, número e grau!). Não é raro ouvir que leite é para bezerros, ou que o homem é o único mamífero que continua consumindo leite na idade adulta e ainda o faz utilizando o produto de outras espécies (não podemos esquecer que, para atingirmos as necessidades recomendadas de ingestão de cálcio precisamos buscar consumir os alimentos fontes deste nutriente e o leite de vaca é um dos principais alimentos ricos neste mineral).
Mitos e verdades
Médicos e estudiosos seguem produzindo diversos materiais sobre o tema, que também chamou a atenção de pesquisadores dos Institutos de Tecnologia de Alimentos (ITAL-Apta) e de Economia Agrícola (IEA-Apta) e da própria Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), vinculados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
O produto deste trabalho é o livro "Leite para Adultos: Mitos e Fatos frente à Ciência", lançado recentemente durante o 8º Simpósio Latino Americano de Ciência de Alimentos (SLACA), em Campinas, São Paulo. Coordenada pela professora Adriane Elisabete Costa Antunes (UNICAMP) e pela pesquisadora Maria Teresa Bertoldo Pacheco (ITAL), a publicação faz uma revisão abrangente da literatura científica e apresenta os mitos e verdades em torno do consumo de leite por adultos. Diz o prefácio que o objetivo do livro é trazer informações atualizadas e abrangentes sobre o tema, oferecendo aos profissionais da área de alimentos e saúde, bem como para a população em geral, uma ferramenta de consulta. Em um dos trechos, revela que novas descobertas apontam para a capacidade de continuar ingerindo leite na fase adulta como decorrente de uma mutação genética que proporcionou benefícios evolutivos aos indivíduos lactase persistentes, e que este padrão genético tem se tornado cada vez mais frequente na população mundial. Esta, segundo Adriane, é a razão pela qual a intolerância a lactose é ainda tão grande. Ela diz que há regiões da África, Ásia e Oriente Médio em que chega a 80% da população (não podemos esquecer que nós brasileiros somos uma tremenda mistura genética! Logo, a chance de sermos altamente intolerantes à lactose é mais baixo!).
Benefícios do leite
O leite é rico em proteínas, vitamina A, auxiliando na regulação do sistema nervoso e aumentando a resistência a infecções. É também a principal fonte de cálcio absorvido na alimentação, responsável por cerca de 70% do mineral ingerido pelo homem. É, portanto, uma importante arma para a prevenção de problemas como a osteoporose, especialmente para as mulheres, que são as mais acometidas. Ainda para as mulheres, o consumo de leite é também muito importante em uma importante fase de suas vidas. Durante a gestação e lactação, elas precisam de cálcio. Na falta, acabam retirando do próprio organismo, podendo desenvolver, além da osteoporose, osteopenia e osteomalácia. Estudos revelam, inclusive, que cerca de 45% das mulheres com intolerância à lactose descobrem-se livres do problema durante o período de gravidez e de lactação (e depois as pessoas condenam o consumo de leite!!! Veja bem: a exclusão do leite de vaca da alimentação de um adulto é feita mediante uma avaliação individual de bronquite, asma, rinites, intolerância à lactose e flatulência. Nos dois últimos casos, conseguimos reverter o processo não excluindo o leite da alimentação e sim substituindo-o por um leite com baixo teor de lactose, com várias marcas disponíveis no mercado)."
Bibliografia(s)
Leite para adultos: pesquisadores lançam livro. Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. Disponível em: http://www.agricultura.sp.gov.br. Acessado em 25/11/2009.
Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite. Disponível em: http://www.cbql.com.br. Acessado em 25/11/2009.
Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/html/pt/dicas/88lactose.html. Acessado em 25/11/2009.
Fonte da matéria: