segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Meu filho não come!!!!!!!! O que eu faço????

Quem nunca ouviu isso, não é mesmo????
Estava navegando pela internet quando me deparei com esta entrevista presente no site http://www.nutritotal.com.br/ 
A nutri da vez é a Glauce Hiromi Yonamine, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Dei uma resumida na entrevista e deixei os principais aspectos que as mamães de plantão precisam saber (e fazer!).
Deixo uns poucos comentários em vermelho!!!

Como diferenciar a falta de apetite que acontece na infância com falta de apetite devido à doenças?  
É preciso uma avaliação médica para excluir causas patológicas para a recusa alimentar, como infecções, doença do refluxo, alergia alimentar etc. Geralmente, a criança com falta de apetite sem nenhuma doença apresenta ganho de peso e estatura adequados e pode-se perceber, práticas inadequadas dos pais para a alimentação, devido à falta de orientação e ansiedade deles em alimentar a criança, como:
- alimentar a criança à noite, enquanto ela está dormindo ou sonolenta porque ela não se alimentou direito durante o dia;
- alimentar mecanicamente, estabelecendo horários rígidos para a alimentação, sem respeitar a satisfação da criança; (a rigidez de horários logo no comecinho só traz dores de cabeça aos pais... com o tempo se trabalha horário para o lanche, horário para o almoço, pois a criança entra na escolinha e precisa de rotina... mas logo nos primeiros anos de vida, a criança precisa do seu tempo para se alimentar!)
- tentar alimentar a criança constantemente, geralmente sem sucesso, independente do apetite da criança, na tentativa de fazer com que a criança aceite mais um pouco de alimento ou bebida;
- forçar a alimentação, mesmo após recusa da criança e contra a sua vontade (por exemplo: abrir a boca da criança e colocar o alimento à força); (isso NUNCA!)
- distração condicional, isto é, a criança só aceita a refeição se houver distração (com música, televisão, brinquedos, se estiver andando) e não demonstra interesse em se alimentar; (um grande erro que vejo com muita frequência em hotéis, praças de alimentação... peraí! A hora de comer é para comer, não é hora de ver TV....)  
- prolongar a refeição por mais de 30 minutos, apesar do insucesso em alimentar a criança.

Outros fatores que podem indicar a falta de apetite de causa não patológica são os problemas de dinâmica familiar e comportamentos inadequados da criança, como seletividade (aceitação de apenas um tipo de alimento ou alimentos de determinada cor), ânsia de vômito antes da refeição ou ao colocar o alimento na boca, e recusa ao alimento (virando a cabeça) quando este é oferecido.

Como os alimentos devem ser oferecidos às crianças?
De maneira geral, os pré-escolares devem receber de 5 a 6 refeições ao dia (café da manhã, almoço, jantar e de 2 a 3 lanches), em intervalos regulares (a cada 2 a 3 horas), mas sem rigidez, isto é, respeitando os sinais de fome e saciedade da criança. Todos os grupos de alimentos devem ser oferecidos e de forma variada. Os alimentos devem ser colocados no prato em pequena quantidade, permitindo repetição por solicitação da criança. Deve-se desencorajar as refeições noturnas, oferta de guloseimas e de sucos entre as refeições. As crianças devem se sentar à mesa, realizar as refeições junto com a família, sendo estimuladas a se alimentar sozinhas, mas sempre com supervisão. Em caso de uso de mamadeiras, estas devem ser substituídas pelo copo.

Que estratégias podem ser utilizadas para incentivar o consumo alimentar?
A criança deve ser preparada para a refeição, isto é, avisá-la para ir finalizando a brincadeira ou qualquer outra atividade minutos antes da refeição e ir se “aprontando” para a refeição. (importantíssimo! A criança precisa "baixar a bola" e entender que precisa lavar as mãos e se sentar à mesa).
Os alimentos devem ser arrumados no prato de forma agradável, podendo ser útil utilizar pratos com divisórias, para aquelas crianças que gostam de ver os alimentos separados, pois nessa fase é comum a resistência a experimentar novos alimentos. É importante variar a forma de oferta dos alimentos e expor a criança ao mesmo alimento de 8 a 10 vezes, em ocasiões diferentes, para que ela aprenda a consumi-los. A oferta do alimento novo no início da refeição, quando a criança está com mais fome, pode facilitar a aceitação. Enfatizar a cor, forma, aroma e textura dos alimentos para despertar o interesse da criança.
Os pais devem servir como exemplo, consumindo uma alimentação saudável e variada, pois as crianças se espelham neles. (muitas vezes pais querem que os filhos comam aquilo que eles abominam! Sempre precisamos ter uma alimentação colorida, variada e saudável para que as crianças vejam aquilo que deve ser feito!)
A participação na compra e preparo dos alimentos, de forma lúdica (dar nomes aos alimentos, fazer desenhos com alimentos, ajudar a picar, adicionar ingredientes as preparações) ajuda a aumentar o interesse em consumi-los.
Se a criança recusar os novos alimentos, os pais não devem demonstrar ansiedade ou nervosismo, pois isso só gera estresse e piora a recusa alimentar. Nestas situações a criança pode estar querendo chamar a atenção dos pais, sendo necessário dar carinho e atenção em outros horários do dia.

Pode ser utilizada a estratégia de compensação para o consumo de sobremesa caso a criança consuma toda a refeição?
Não se deve exigir que a criança coma tudo o que está no prato, mas sim, permitir que ela respeite os sinais de saciedade. Também não é recomendado insistir, fazer chantagem, pressão, punir ou prometer premiações como a sobremesa. Estas estratégias só pioram a aceitação dos alimentos em longo prazo. A sobremesa e os outros doces não devem ser supervalorizados, mas sim oferecidos eventualmente, como mais uma preparação, com limites quanto ao horário e quantidade. Os alimentos não devem ser divididos em “bons” e “ruins” ou “permitidos” e “proibidos”, pois isso só aumenta a vontade de comer aqueles alimentos que são “ruins” ou “proibidos”. (Muitos pacientes adultos obesos são as crianças que tinham o doce como presente ou prêmio... não podemos de forma alguma elevar os alimentos à categorias de presentes, prêmios ou conotações que não são alimentares.... a relação futura com o alimento pode passar de alimentar para satisfazer dependências/necessidades psicológicas e afetivas. Por isso não caiam mesmo na cilada do doce maravilha presentão depois do jantar!)

A mamadeira de leite pode ser oferecida no lugar de uma refeição?
A mamadeira nunca deve ser oferecida em substituição à refeição salgada (almoço e jantar), pois a criança não aprenderá a consumir os alimentos destas refeições e sempre manipulará os pais para receber o leite, que geralmente é o alimento mais preferido, pois a criança já está acostumada com o sabor e não precisa mastigar.

É indicado “esconder” verduras entre outros alimentos de melhor aceitação?
Esconder as verduras em outros alimentos bem aceitos não é aconselhável, já que a criança não aprende a comer adequadamente. A criança precisa ver o alimento e saber o que está comendo, pois só assim, aprenderá a ter uma alimentação saudável e variada.

Devagar e sempre... ser pai/mãe não é apenas gerar... é criar, educar e fazer com que esta criança se torne uma pessoa que respeita a vida, adora os animais e vê nos alimentos a fonte da vida e da saúde.... nossa, estou meio filosófica hj!!!!!!!

Fonte:
http://www.nutritotal.com.br/entrevistas/?acao=bu&categoria=1&id=31

Um comentário:

  1. Olá blogueiro,

    Dê ao seu filho o que há de melhor. Amamente!

    Quando uma mulher fica grávida, ela e todos que estão à sua volta devem se preparar pra oferecer o que há de melhor para o bebê: o leite materno.

    O leite materno é o único alimento que o bebê precisa, até os seis meses. Só depois se deve começar a variar a alimentação.

    A amamentação pode durar até os dois anos ou mais.



    Caso se interesse na divulgação de materiais e informações sobre esse tema, entre em contato com comunicacao@saude.gov.br

    Obrigado pela colaboração!

    Ministério da Saúde

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