quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Consumo de leite por adultos: é bom ou é contra indicado?

Gente, boa tarde!

Uma leitora do blog me mandou um e-mail sobre essa questão de exclusão do leite por adultos X alergias, assunto que já comentei aqui anteriormente....
Pra quem me conhece, sabe que sou uma pessoa altamente a favor do consumo de leite de vaca por humanos... minha tese de mestrado é sobre intolerância à lactose, deficiência de vitamina D e metabolismo do cálcio em pacientes no pré-operatório de cirurgia bariátrica... pesquisei muito sobre o assunto e estudei os pacientes na Unifesp... por isso que sempre falo e repito: a exclusão do leite de vaca da dieta dos pacientes deve ocorrer através de situações muito pontuais!

Estudos inclusive falam do papel do aleitamento materno no desenvolvimento de alergias respiratórias. Um artigo de revisão brasileiro, publicado em 2009 conclui que apesar das muitas pesquisas sobre o tema, não se pode concluir se o aleitamento materno ajudará a prevenir a sensibilização a alérgenos em crianças com enfermidades como asma. No entanto, por todas as suas conhecidas vantagens, o aleitamento materno exclusivo deve ser encorajado nos primeiros meses de vida. Ou seja: existem diversos estudos sobre o tema, sendo que alguns não são conclusivos, o que não nos deixa afirmar que 100% das crianças se benficiarão do papel do leite materno na proteção de alergias respiratórias como a asma. 

Um outro estudo, com poucos pacientes publicado em 2002 comparando uso de iogurte X uso de leite na ocorrência de rinopatia alérgica concluiu que o consumo de iogurte ao invés do leite parece melhorar ou prevenir a recorrência de rinopatia. No entanto, não foram todos os testes alérgicos que foram realizados com os pacientes que tiveram diferença significativa. Talvez tenha sido devido ao pequeno número de pacientes estudados.



Fazendo uma varredura pela internet, achei essa reportagem publicada há um mês no Estadão sobre o consumo de leite e acredito que essa matéria traduz mesmo minha postura sobre o consumo de leite na idade adulta; deixei uma versão resumida da reportagem e comentários em negrito:

Consumo de leite por adultos é ''reabilitado''

O Ministério da Saúde americano adverte: a intolerância ao leite é rara (isso eu pude comprovar na prática na minha tese de mestrado) e o produto está liberado para grande parte dos adultos, e não o contrário. Não se justifica retirá-lo da dieta sem ter certeza de que o problema realmente existe. O alerta feito nos EUA tenta combater teorias contra o leite que ultrapassaram as fronteiras e chegaram a vários países, entre eles o Brasil.
 
Por aqui, cientistas organizaram um tribunal científico sobre o produto, cujas análises foram publicadas no livro Leite para Adultos - Mitos e Fatos Frente à Ciência (Editora Varella). O leite de vaca é saudável, apontam. A intolerância e as alergias são raras. E não há evidências científicas de que cause doenças respiratórias como a asma, por exemplo. Por outro lado, ainda é controverso que o leite seja benéfico por exemplo para úlceras, como diz a sabedoria popular.
"O leite é um alimento muito rico do ponto de vista nutricional. E seu consumo por pessoas sem componentes restritivos é salutar", afirma a nutricionista Adriane Antunes, professora de Nutrição na Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas e uma das organizadoras do livro ao lado de Maria Teresa Pacheco, do Instituto de Tecnologia de Alimentos, de São Paulo.
Não há motivo, portanto, para a maioria da população não seguir a recomendação que consta no Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, que preconiza três porções de leite e derivados por dia - uma porção é um copo de leite, por exemplo (procurem nossa Pirâmide Alimentar aqui mesmo no blog; a visualização da mesma é clara sobre as porções de leite e derivados a serem consumidas diariamente para termos um adequado aporte de cálcio, além da vitamina D). O leite é a melhor fonte de cálcio, mineral essencial para a saúde dos ossos, mas o país registra redução de consumo. A recomendação só não deve ser seguida se houver diagnóstico claro de problemas, como as alergias e a intolerância - possível por meio de testes específicos.

Supervalorização. Além da intolerância à lactose - dificuldade de digerir esse açúcar que leva a diarreias e flatulência -, as proteínas do leite realmente podem gerar alergia em algumas pessoas, com manifestações orais, dermatológicas e respiratórias.

"Não dá para generalizar. Retirar o leite exige cuidado. Há testes específicos para se detectar a intolerância à lactose e as alergias. Vemos pacientes com diagnóstico errado e é preciso lembrar que uma recomendação como essa muda toda a dinâmica da dieta do indivíduo e da família, tem impacto social", diz o alergista Fabio Kuschnir. "É muito preocupante fazer isso sem a confirmação do diagnóstico. Além de rotular as pessoas, um discurso como esse pode levar a deficiências nutricionais." Ou seja: se existe uma suspeita de alergia ou intolerância, o correto é procurar auxílio médico e lógico um acompanhamento com nutricionista caso seja necessário retirar o leite, para readequar a dieta e introduzir outros alimentos fontes de cálcio e vitamina D nas quantidades adequadas.

Fontes:
Silva, Denise Rizzo Nique da; Schneider, Aline Petter; Stein, Renato Tetelbom. O papel do aleitamento materno no desenvolvimento de alergias respiratórias: [revisão]/ The role of breastfeeding on the development of respiratory allergies: [review]. Sci. med; 19(1): 35-42, jan.-mar. 2009.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101010/not_imp623074,0.php
Aldinucci C; Bellussi L; Monciatti G; Passali GC; Salerni L; Passali D; Bocci V. Effects of dietary yoghurt on immunological and clinical parameters of rhinopathic patients. Eur J Clin Nutr; 56(12): 1155-61, 2002 Dec.